Cultura indígena, performances de ilustradores e crônicas de Machado de Assis são destaque no sexto dia do Salão FNLIJ do Livro
O primeiro lançamento do dia "As pegadas do Kurupyra”, de Yagarê Yamã, aconteceu na Biblioteca para Crianças. O livro fala de um menino que conhece um curupira - pele de sapo na língua indígena -, uma entidade da floresta e faz com ele uma viagem pela mata. O autor indígena encantou as crianças ao contar histórias de sua tribo no Amazonas, entre elas, o ritual de passagem pelo qual passam os índios para se tornarem homens, que inclui canto, dança e picadas da formiga tucaneira. “Não temos adolescência”, explicou ele.
O Salão ainda proporcionou o encontro dos leitores com o autor indígena Cristino Wapichana, autor de “A Onça e o Fogo”. Descalço, com um cocar na cabeça e usando tinta de urucum no rosto, Cristino leu trechos do livro para as crianças que assistiam atentas à história. Além de apresentar elementos dos mitos fundadores de seu povo, Cristino buscou desfazer conceitos equivocados sobre cultura indígena, como o uso da palavra tribo para identificar populações distintas.
Já o professor, crítico e escritor Gustavo Bernardo conversou com o público sobre o lançamento “Monte Verità” na Biblioteca FNLIJ para Jovens, segundo livro de sua “Trilogia da Utopia”. O autor já premiado pela FNLIJ e com nove romances já publicados falou do papel de resistência da Fundação na valorização do livro de ficção de qualidade na formação de crianças e jovens, cujo maior símbolo é a realização do Salão do Livro.
Às 14h a ilustradora Elma lançou “Vento” no Espaço FNLIJ de Leitura. O livro composto apenas por imagens despertou atenção das cerca de 40 crianças presentes. Elma explicou que o objetivo é deixar que cada um construa sua narrativa a partir das imagens ilustradas: “É um incentivo para que as crianças usem mais a imaginação”, afirmou a ilustradora.
Dentro da programação do Ano da França no Brasil, o ilustrador francês Gilles Eduar realizou uma performance junto com o também ilustrador Michelle Iacocca. Cerca de 50 crianças acompanharam o processo de criação e receberam incentivos para que desenvolvam a arte de desenhar: “Às vezes não se sabe exatamente o que vai surgir, mas o legal é desenhar e ver as coisas aparecendo”, afirmou Gilles.
Michelle Iacocca lançou “Vocês pensam que é fácil?” na Biblioteca FNLIJ / Petrobras. O autor, de origem italiana, contou que o livro narra em versos o dia de um menino pré-adolescente, desde a hora em que acorda até o momento em que vai dormir: “É uma verdadeira epopéia e serve para mostrar aos pais que crianças e jovens também têm seus problemas e precisam de atenção”, explicou. Entre ilustrações, textos de sua autoria e parcerias, Michelle já publicou mais de 200 títulos, muitos deles premiados no Brasil e no exterior.
Já presente em dias anteriores do evento literário, o escritor Luiz Antonio Aguiar ressaltou a importância do escritor Machado de Assis, tema de seu livro “O mínimo e o Escondido - Crônicas de Machado de Assis”. Com o título pincelado a partir da última crônica escrita por Machado em vida, Aguiar falou sobre a habilidade do mais ilustre escritor brasileiro em comentar aspectos cotidianos do Rio de Janeiro; sempre por um ângulo inusitado. Entre os exemplos citados, o autor falou da passagem de uma das crônicas em que dois burros de carga indagam o futuro incerto com a chegada da eletricidade no Brasil. 
As atividades foram finalizadas com o lançamento de “A Casa que Vendia Elefantes”, o primeiro livro infantil de Lívia Garcia-Roza. Com muito dinamismo e animação, a autora contou a história e leu alguns trechos, prendendo a atenção de todos e gerando curiosidade e interesse. Ao final, as crianças fizeram perguntas e contaram casos para Lívia, que disse sentir-se emocionada com o processo de escrita e o relacionamento com os leitores-mirins.