Lançamentos concorridos e performances de ilustradores encerram o 11° Salão FNLIJ do Livro
O último dia do 11º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no domingo, dia 21, já começou deixando saudades. Cerca de 40 mil visitantes, entre eles 20 mil alunos de escolas públicas e particulares, acompanharam diversos lançamentos, se divertiram no encontro com leitores e ilustradores da nova e da antiga geração, participaram de seminários e usufruíram de um espaço ainda mais confortável para a prática da leitura no Centro Cultural da Ação da Cidadania. Consolidado no calendário cultural do Rio de Janeiro, o Salão FNLIJ atrai autores de diversas partes do Brasil e faz sucesso entre leitores de todas as idades, que têm a chance de interagir com os escritores favoritos.
Os primeiros lançamentos do último dia ficaram por conta da autora Anna Claudia Ramos, no Espaço de Leitura. Lá, ela falou sobre seus livros "Capitão Medalhão e o Justiceiro Negro” e “O Fado Padrinho, o Bruxo Afilhado e Outras Coisinhas Mais”, ambos inspirados em situações pessoais. Segundo Anna, “Capitão Medalhão” foi um personagem criado por seu filho, que costumava se fantasiar e brincar de capitão, enquanto “O Fado Padrinho” foi baseado em um padrinho de consideração da escritora. Apesar das semelhanças na origem, os livros tiveram processos de criação diferentes. “O 'Capitão Medalhão' surgiu naturalmente e a história inicial tinha umas 13 páginas. Tive que praticar o desapego para cortar trechos e conseguir publicá-lo. Por outro lado, eu tive que me forçar para ter a ideia do ‘Fado Padrinho" e me preocupei com questões editorais”, explicou Anna.
Logo após, a autora Stella Barbieri e o ilustrador Fernando Vilela apresentaram a coleção “Jeitos de Mudar o Mundo” baseada nas Oito Metas do Milênio lançadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000. As histórias dos oito livros que compõem a coleção são inspiradas em contos tradicionais de diferentes países e cada uma representa uma meta. Para isso, a dupla realizou uma pesquisa profunda sobre as culturas abordadas e Vilela baseou suas ilustrações nos elementos característicos de cada lugar em que a história ocorre.
Cerca de 50 crianças assistiram atentas às leituras de alguns livros da coleção, participaram de uma brincadeira de ilustração promovida por Vilela e interagiram com os dois fazendo perguntas e esclarecendo curiosidades.
“Eu acho o Salão uma iniciativa maravilhosa, é um evento que fala sobre literatura infantil de uma maneira que faz sentido para as crianças. Hoje, tivemos um tempo importante com as crianças em que a gente pôde tanto contar as histórias que estão nos livros, como falar sobre eles, como foram criados e que elementos usamos nessas criações”, enalteceu a autora.
No Espaço de Leitura, o escritor e ilustrador Guto Lins fez dois divertidos lançamentos. Ele apresentou para o público os livros “Irmão” e “Irmã”, da coleção “Família”, que seguem a mesma linha da coleção “Que Fome”: textos quase melódicos, com linguagem simples e ilustrações bem marcantes. Antes de convidar as crianças a lerem trechos dos livros no microfone, Guto falou um pouco sobre a coleção. “Nestes livros, os cenários são iguais, porque se trata de uma mesma família. Algumas imagens e trechos de textos também se repetem, como acontece em toda família. Por exemplo, o móvel que era da avó passa para a tia, que depois passa para a neta. Um tênis que era de um primo passa para o outro e assim vai”.
Já Rogério Andrade Barbosa, autor de quase 80 títulos para crianças, apresentou, às 16h, o seu mais recente trabalho na Biblioteca Petrobrás para Crianças. “Três Contos de Adivinhação” reúne histórias da tradição oral do continente africano que o autor resgatou em viagens para países da região. Como característica, esses contos exercitam a imaginação da garotada que precisa adivinhar o final.
Quase simultaneamente, no Espaço de Leitura, a autora Gabriela Hetzel e a ilustradora Elizabeth Teixeira lançaram “O Lobo” que marca a terceira publicação em parceria das duas. Gabriela contou para o público que, quando começa a escrever as suas histórias, nunca sabe muito bem onde elas vão parar. No caso de “O Lobo”, o livro começou como uma história sobre o animal, uma figura que sempre a fascinou, que um pai contava para a filha.
“Neste processo do livro, de repente, me lembrei de meu pai que sempre me contava histórias quando eu tinha três e quatro anos de idade e que essa é a minha recordação mais antiga dele. Então, decidi escrever o livro sobre uma história dentro de uma história que fala desse pai que foi um preso político e sumiu sem terminar de ler o livro para a filha”, explicou.
Às 17h, aconteceu o evento mais concorrido deste último dia do Salão. Com a Biblioteca para Crianças lotada de crianças e adultos, Bia Bedran lançou “A Menina do Anel”. Escrito no verão de 2008, durante as férias da autora em Porto de Galinhas, o lançamento marcou também o primeiro contato da autora com a publicação pronta e finalizada. “Hoje, de fato, aqui no Salão do Livro, acontece o nascimento desse que é o meu sétimo livro’, contou.
Em “A Menina do Anel”, Bia resgata a canção “Ciranda do Anel” que compôs há 25 anos para contar a história inspirada na saudade de sua mãe que havia falecido recentemente. A autora buscou metáforas sobre o mar, as ondas que vem e vão (cenário de suas férias em Pernambuco) para falar para as crianças sobre a perda da mãe e de sentimentos como amor e saudades. “Lançar o meu livro aqui no Salão é uma alegria e uma honra. O contato com as crianças pra mim é muito importante, elas não precisam nem falar, só pelo olhar, eu já consigo entender o que significa. Então, quando a criança vem e me diz que achou bonito, como aconteceu agora, pra mim, é um enorme presente”.
O último lançamento da Biblioteca para Jovens foi “Joaquim e Maria e a Estátua de Machado de Assis”, de Luciana Sandroni. Na história, a estátua de Machado propõe uma volta pelo Rio de Janeiro aos estudantes Joaquim e Maria e os três passeiam pelos locais onde o escritor ambientou suas obras. O livro, cheio de referências à Corte e ao Brasil do Século XIX, retrata o lado irônico e engraçado de Machado de Assis e, segundo Luciana, é uma forma de atrair o público juvenil para os clássicos. Depois de responder as perguntas curiosas de crianças e adultos presentes no espaço, Luciana convidou todos a olhar as fotos do Rio Antigo que estampam o livro. “O Salão FNLIJ é ótimo e promove esse encontro afetivo entre autores, alunos e pais”, comentou a escritora.
No Espaço de Leitura, os escritores e ilustradores Graça Lima, Roger Mello e Mariana Massarani lançaram três títulos da coleção “Faz Tudo”, sobre profissões que nunca ganham muito espaço nos livros. “Luzimar e Cadê?”, de Graça, “Ossos do Ofício”, de Roger, e “Salão Jaqueline”, de Mariana, tratam, respectivamente, de uma empregada doméstica, de um coveiro e de uma cabeleireira. Mariana contou um pouco sobre a inspiração para a coleção. “Os livros só costumam tratar de profissões como advogado, médico e dentista. Cada um de nós três sugeriu como tema uma profissão menos glamourizada, mas não menos importante”. 
Depois do lançamento, Roger Mello participou da última performance de ilustradores do 11º Salão FNLIJ ao lado de Ivan Zigg e Guto Lins, no Espaço de Leitura, que encerrou com sucesso o evento deste ano. "O trabalho do ilustrador é muito solitário, por isso, pra mim, é muito importante participar do Salão, porque tenho a oportunidade de trocar com as crianças e com os outros profissionais da área", explicou Roger Mello.